Livros são escritos sobre este ou aquele grande espírito da Antiguidade e o público os lê, mas não lê as próprias obras; isto porque quer ler apenas o que acaba de ser publicado e, já que similis simili gaudet [Os semelhantes se atraem], para ele o vazio e insípido dis-que-diz das cabeças de vento de hoje é mais adequado e agradável do que os pensamentos de um grande espírito. Eu, porém, agradeço o destino que me apresentou ainda na juventude o belo epigrama de A. W. Schlegel, que, desde então, é minha estrela-guia:Leia os antigos com cuidado, os antigos de verdade.
O que os novos dizem deles quase nada significa.
Ah, como uma cabeça ordinária se parece com outra! Como são fundidas em um único molde! Como lhes ocorre o mesmo pensamento, e nada mais, nas mesmas circunstâncias! Juntam-se a isto ainda seus sórdidos interesses pessoais. O diz-que-diz sem sentido de tais anões é lido por um público estúpido desde que tenha sido impresso hoje, enquanto os grandes espíritos são deixados nas estantes.
Arthur Schopenhauer - Parerga e Paralipomena
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